Procedimentos Cirúrgicos

Osteotomia periacetabular: indicações, técnica e recuperação

Guia completo sobre osteotomia periacetabular para decidir com segurança.

A osteotomia periacetabular é uma cirurgia de preservação do quadril que corrige a cobertura do acetábulo, alivia a dor e protege a cartilagem.

Este guia explica as indicações, preparo, técnica, recuperação e resultados para quem avalia o procedimento.

O que é osteotomia periacetabular

Trata-se de um realinhamento do acetábulo, parte da pelve que forma a cavidade do quadril.

O cirurgião realiza cortes controlados ao redor do acetábulo, gira o fragmento para aumentar a cobertura da cabeça do fêmur e fixa com parafusos.

O objetivo é distribuir melhor as cargas, reduzir a sobrecarga do lábio acetabular e preservar a articulação.

Quem se beneficia

A indicação mais comum é a displasia do quadril em adolescentes e adultos jovens com dor, instabilidade ou limitação.

Também pode ajudar em retroversão acetabular e versões assimétricas. A decisão considera idade, grau de desgaste, dor no dia a dia e metas de atividade física.

  • Perfil típico: pacientes até 40 anos com cartilagem preservada.
  • Contraindicação relativa: artrose avançada com perda de espaço articular.
  • Sintomas frequentes: dor na virilha, sensação de travamento, fadiga após esforço, quedas de rendimento no esporte.

Avaliação e exames antes da cirurgia

O protocolo inclui história clínica, exame físico específico e imagens.

  • Radiografias medem cobertura, ângulos e congruência.
  • Ressonância avalia o lábio acetabular e cartilagem.
  • Tomografia 3D ajuda a planejar rotação e posição final do acetábulo.

Como é feita a cirurgia

A cirurgia é feita em hospital, com anestesia e controle por radioscopia.

O cirurgião realiza cortes ósseos ao redor do acetábulo, reposiciona o fragmento para cobrir melhor a cabeça femoral e fixa com parafusos.

O posicionamento final busca equilíbrio entre cobertura, mobilidade e estabilidade.

    Osteotomia periacetabular e procedimentos combinados

    Em cerca de uma parte dos casos, há necessidade de tratar o fêmur proximal ou o lábio.

    Pode haver associação com osteotomia femoral para corrigir varo, valgo ou rotação, bem como artroscopia para reparar o lábio acetabular e tratar o impacto femoroacetabular.

    Riscos e segurança do procedimento

    Complicações são incomuns em centros com experiência, mas podem ocorrer. O time cirúrgico orienta medidas de prevenção, monitora sinais e adota protocolos de reabilitação seguros.

    • Eventos possíveis: sangramento, trombose, parestesia transitória, atraso de consolidação, dor residual.
    • Fatores que reduzem o risco: planejamento preciso, controle de versão, fixação sólida, fisioterapia guiada.
    • Cuidados domiciliares: sinais de alerta, adesão às orientações de carga e mobilidade.

    Recuperação

    Veja um passo a passo das etapas do processo de reabilitação, que já começa no hospital:

    1. Semanas 0 a 2: controle de dor e edema, exercícios de mobilidade suave, prevenção de trombose.
    2. Semanas 3 a 6: apoio parcial, fortalecimento do core e glúteos, treino de marcha.
    3. Semanas 7 a 12: transição para apoio completo, ganho de força e estabilidade.
    4. Meses 4 a 6: retorno gradual a corridas leves e esportes sem impacto, conforme avaliação.

    Atletas podem levar de 6 a 12 meses para voltar ao nível competitivo. A meta é retomar sem dor, com amplitude e controle muscular adequados.

    O acompanhamento com radiografias confirma a consolidação e o posicionamento.

    Resultados esperados e durabilidade

    Quando indicada de forma correta, a osteotomia periacetabular reduz a dor, melhora a função e diminui a progressão do desgaste.

    Em pacientes com cartilagem preservada, a sobrevida do quadril é alta a longo prazo, o que adia ou evita a necessidade de prótese.

    Perguntas ao seu cirurgião

    • Meu padrão de displasia é corrigível com osteotomia periacetabular isolada?
    • Haverá necessidade de osteotomia femoral ou artroscopia associada?
    • Qual cronograma de carga, fisioterapia e retorno ao trabalho é esperado no meu caso?
    • Quais são os sinais de alerta que exigem contato imediato com a equipe?

    Estou à sua disposição para esclarecer todas essas questões. Agende sua consulta e vamos conversar sobre todos os detalhes da cirurgia, do pré ao pós-operatório!

    FAQs

    O que diferencia a osteotomia periacetabular de outras osteotomias do quadril?

    A técnica atua ao redor do acetábulo, permite correção tridimensional de cobertura e versão, com preservação da articulação nativa. Outras osteotomias têm alvos ósseos diferentes e menor capacidade de ajuste fino.

    Quando a prótese total é preferida à osteotomia periacetabular?

    Quando há artrose avançada, dor constante em repouso e perda acentuada de cartilagem. Nesses cenários a substituição articular tende a oferecer alívio mais previsível.

    Quanto tempo fico com muletas após a cirurgia?

    Em geral de seis a oito semanas, com progressão de carga conforme consolidação e orientação da equipe de reabilitação.

    Posso voltar a correr após a osteotomia periacetabular?

    Sim em muitos casos, após liberação clínica e radiográfica. O retorno costuma ocorrer entre o sexto e o décimo segundo mês, com programa de fortalecimento e técnica de corrida.

    Existe risco de precisar de nova cirurgia?

    O risco é baixo, porém existe. Pode ocorrer remoção de parafusos, revisão por desconforto persistente ou indicação futura de prótese caso o desgaste progrida ao longo dos anos.

    Dr. Tiago Bernardes

    Formado pela Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS/DF) e residente em Ortopedia e Traumatologia no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC/UFG).
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