Síndrome da dor do trocânter maior: diagnóstico e tratamento
Descubra os sinais e as causas da síndrome da dor do trocânter maior, além dos tratamentos disponíveis.
A síndrome da dor do trocânter maior é uma das causas mais comuns de dor na lateral do quadril.
O incômodo aparece ao caminhar, subir escadas, ficar muito tempo em pé e, principalmente, ao deitar sobre o lado dolorido.
Em muitos casos, a dor “desce” para a lateral da coxa e pode confundir quem suspeita de problema na coluna.
Com avaliação bem feita, o tratamento costuma ser conservador e com boa taxa de melhora.
O que é o trocânter maior
O trocânter maior é uma proeminência óssea do fêmur situada na face lateral do quadril.
Nessa região. inserem-se tendões, com destaque para os dos músculos glúteos, responsáveis por manter a pelve estável durante a caminhada e por modular movimentos de abdução e rotação do quadril.
Quando ocorre excesso de carga nessas estruturas, é comum haver dor à palpação e durante atividades do dia a dia, como levantar da cadeira, entrar no carro ou apoiar o peso em uma única perna.
O que é a síndrome da dor do trocânter maior
A síndrome da dor do trocânter maior é um conjunto de alterações que geram dor na lateral do quadril, perto do trocânter maior.
Costumava ser chamada de “bursite trocantérica”, só que hoje se entende que a bursa pode até participar do quadro, mas a tendinopatia dos glúteos é frequente e muda a forma de conduzir a reabilitação.
Na prática, pense nessa síndrome como um problema de controle de carga e de mecânica do quadril.
Quando o abdutor do quadril perde força ou coordenação, a pelve “cai” mais na marcha, o tendão trabalha sob tensão maior e a dor aparece.
Causas e fatores de risco
Raramente existe uma causa única. O quadro costuma surgir pela soma de sobrecargas e detalhes do movimento. Entre os fatores mais comuns, destacamos:
- Permanecer deitado sobre o lado dolorido por tempo prolongado.
- Sentar com as pernas cruzadas ou manter o quadril em adução por longos períodos.
- Aumento súbito de treino (corrida, escadas, caminhadas longas, subidas).
- Fraqueza de glúteos, com pior controle pélvico no apoio unipodal.
- Sobrepeso, que eleva a demanda de carga na região lateral do quadril.
- Alterações da marcha por dor no joelho, pé ou coluna.
- Histórico de cirurgia no quadril ou no membro inferior, com mudança de mecânica.
Mulheres acima dos 40 anos apresentam maior frequência, em parte por diferenças anatômicas e por padrões de carga ao longo da vida, mas a síndrome da dor do trocânter maior também aparece em atletas, principalmente em corredores quando há aumento de volume sem recuperação adequada.
Sintomas mais comuns
O sintoma típico é dor localizada na lateral do quadril, com sensibilidade ao toque no trocânter maior. Outros sinais que ajudam na suspeita são:
- Dor ao deitar de lado, com piora do sono.
- Dor ao subir e descer escadas.
- Incômodo ao levantar de cadeiras baixas.
- Dor ao caminhar por mais tempo, com sensação de “queimação” local.
- Irradiação para a lateral da coxa, às vezes até o joelho.
- Fraqueza percebida no quadril, com insegurança no apoio em uma perna.
Em alguns casos, a dor melhora durante o dia e piora à noite, muito ligada à compressão local durante o sono e ao acúmulo de carga após as atividades.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é clínico. A história (onde dói, quando dói, o que piora) e o exame físico costumam fechar o quadro.
A palpação do trocânter maior é um achado forte, e testes funcionais em apoio unipodal ajudam a identificar dor e falhas de controle pélvico.
Exames de imagem podem ser úteis quando há dúvida, quando o quadro não melhora ou quando se suspeita de lesão tendínea mais importante.
- Radiografia ajuda a avaliar artrose e outros diagnósticos.
- Ultrassom e ressonância conseguem mostrar tendões e bursas, mas o resultado precisa bater com os sintomas, porque alterações podem aparecer mesmo em quem não tem dor.
Tratamento
O tratamento geralmente começa com ajustes de carga e reabilitação. O objetivo é reduzir a compressão local, recuperar a força dos abdutores e devolver a função sem manter o tendão irritado.
Na fase dolorosa, vale focar em três frentes:
- Controle de carga: reduzir temporariamente escadas, subidas, corrida e longas caminhadas, sem cair em repouso absoluto prolongado.
- Medidas analgésicas: gelo por períodos curtos, quando indicado, e medicação orientada por profissional.
- Fisioterapia: exercícios progressivos para glúteos e melhora do controle do quadril na marcha e nas tarefas do dia a dia.
Em casos selecionados, recursos como ondas de choque, infiltração e outras abordagens podem entrar como apoio, quando a dor impede a evolução da reabilitação.
O ponto é não tratar só o sintoma. Sem corrigir a mecânica e a capacidade de carga, a síndrome da dor do trocânter maior tende a voltar.
Quando a cirurgia pode ser considerada
Cirurgia não é o padrão. Ela é reservada para situações específicas, como:
- Ruptura significativa de tendões glúteos confirmada em imagem e com impacto funcional importante.
- Dor persistente após um programa conservador bem conduzido por tempo adequado.
A decisão depende do tipo de lesão, do nível de limitação e do objetivo do paciente.
Quando existe dúvida sobre a causa da dor lateral do quadril, uma consulta com especialista em quadril para diagnóstico personalizado ajuda a diferenciar essa síndrome de problemas intra-articulares, dor lombar referida e outras condições que mudam o plano de tratamento.
Prevenção e risco de recorrência
Prevenir é, basicamente, manter capacidade de carga e evitar compressões repetidas. Confira algumas orientações que compartilho com meus pacientes:
- Fortalecer glúteos e musculatura do core, com progressão bem planejada.
- Evitar dormir sempre sobre o lado dolorido, usando travesseiro entre as pernas se necessário.
- Aumentar treino por etapas, sem saltos bruscos de volume.
- Cuidar da mecânica: calçado, padrão de corrida, técnica de subida e descida.
- Tratar dores no joelho, pé e coluna, que alteram a marcha e redistribuem a carga.
Com um plano consistente, a maioria dos pacientes melhora bem, mas o tempo varia.
Alguns evoluem em poucas semanas, outros precisam de meses, principalmente quando a dor está instalada há muito tempo ou quando há grande perda de força abdutora.
FAQs
A síndrome da dor do trocânter maior é a mesma coisa que bursite?
Não necessariamente. A bursa pode participar, mas é comum haver irritação tendínea dos glúteos, o que muda o foco para reabilitação e controle de carga.
Dormir de lado piora a síndrome da dor do trocânter maior?
Sim. A compressão direta na lateral do quadril costuma piorar a dor. Um travesseiro entre as pernas pode reduzir a compressão quando você deita de lado.
Quais exames confirmam o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico. Radiografia, ultrassom e ressonância ajudam quando há dúvida ou quando se suspeita de lesão tendínea relevante.
Fisioterapia resolve sempre?
Na maioria dos casos, sim, quando há progressão correta de força e ajuste de atividades. Casos com ruptura tendínea importante podem exigir outra abordagem.
Infiltração é indicada para todo mundo?
Não. Pode ajudar em casos selecionados, principalmente quando a dor impede o avanço do fortalecimento. Deve ser indicada após avaliação individual.
Quanto tempo leva para melhorar?
Varia. Muitos melhoram em 6 a 12 semanas com reabilitação bem conduzida. Quadros crônicos ou com grande fraqueza podem levar mais tempo.



